Enquanto

Inocência

Visconde de Taunay · Clássicos da literatura brasileira

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Sobre esta obra

O amor proibido entre Inocência e o falso médico Cirino, no sertão de Mato Grosso. Romance regionalista de 1872.

Um trecho

Todos vós percebeis o trabalho da natureza, cuja ação é eterna.

Então com passo tranqüilo metia-me eu por algum recanto da floresta, algum lugar deserto, onde nada me indicasse a mão do homem, me denunciasse a servidão e o domínio; asilo em que pudesse crer ter primeiro entrado, onde nenhum importuno viesse interpor-se entre mim e a natureza.

A estrada que da villa de Sant’Anna do Paranahyba leva ao ponto abandonado de Camapuan corta uma extensa e mal-povoada zona da parte sul-oriental da vastíssima provincia de Mato-Grosso. Desde aquella villa, que assenta quasi no vertice do angulo em que confinam os territorios de S. Paulo, Minas Geraes, Goyaz e Mato Grosso, até o rio Sucuriú, afluente do magestoso Paraná, isto é, no desenvolvimento de muitas dezenas de léguas, anda-se comodamente, de habitação em habitação, mais ou menos chegadas umas às outras, rareiam, porém, depois as casas, mais e mais, caminham-se largas horas, dias inteiros sem se ver morada nem gente até ao retiro de João Pereira, guarda avançada daquelas solidões, homem chão e hospitaleiro, que acolhe com carinho o viajante desses alongados páramos, oferece-lhe momentâneo agasalho e o provê da matalotagem precisa para alcançar os campos de Miranda e Pequiri, ou da Vacaria e Nioac, no Baixo Paraguai.

Capítulos

Fonte e licença

Domínio público: o autor faleceu em 1899, há mais de 70 anos (Lei 9.610/98, art. 41). Texto transcrito pela comunidade do Wikisource em português (pt.wikisource.org).